POLUIÇÃO SONORA ELEITORAL

|


Por Juarez Duarte

Existe um grave problema que assola os centros urbanos brasileiros: a poluição sonora – o barulho ensurdecedor provocado por uma fonte acústica permanente ou temporária que prejudica e incomoda a vizinhança onde está instalada a origem de tal emissor poluente. 

A poluição sonora é a mais difundida forma de poluição no mundo moderno. É a principal causa de surdez entre indivíduos adultos. Porém, os efeitos do ruído sobre a saúde do homem não são somente auditivos. 

Assim sendo, este não é um prosaico problema, muito pelo contrário. Sua gravidade é tamanha que podemos inclusive lembrar que foi o clamoroso fragor das trombetas e a gritaria da multidão que derrubaram as bíblicas muralhas de Jericó. E mesmo no que pese a linguagem metafórica das sagradas escrituras, os efeitos negativos da poluição sonora sobre a vida urbana são enormes – nos aspectos material, intelectual, econômico e da saúde dos citadinos. 


Os principais vilões do ouvido humano são os estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes e boates, através do abuso da utilização de música amplificada; veículos particulares desregulados e ruidosos; vizinhos incômodos e barulhentos. Estes estão sempre entre as primeiras colocações dos denunciados. 

Junto a outros aspectos, podemos destacar as repercussões de caráter econômico sobre uma região da cidade, com a perda de valor residencial de certos locais, quando surgem nestes uma fonte acústica permanente como uma fábrica, uma autopista ou o barulho ensurdecedor causado por atividades de lazer — que são inibidores que outras atividades se instalem no local. 

Para combater os malefícios provocados pelo ruído excessivo, os grandes e médios municípios brasileiros criaram a Lei de Poluição Sonora — ou lei do silêncio — que fixa níveis e horários em que é permitida a emissão sonora e cria licença para utilização de som. A lei autoriza o poder público a promover desde notificações de caráter educativo, embargos de fonte sonora, e até apreensões de equipamentos de som. A lei também concede atribuições a órgãos públicos de Meio Ambiente para enfrentar o problema e o Ministério Público também é atuante nesta esfera da vida social. 

Apesar da consciência social adquirida sobre a gravidade da poluição sonora, nos causa estranheza que a legislação eleitoral para 2012, que tantos aspectos positivos trazem no sentido de dificultar o abuso do poder econômico e combater as desigualdades de oportunidades entre candidatos, com a proibição de showmícios, distribuição de presentes, camisetas e bonés, restrições a outdoors etc., tenha permitido e autorizado essa arma contra o bem-estar e a saúde do cidadão: os carros de som para a propaganda política. 

Intrigante é que, mesmo com a ineficácia desse tipo de propaganda, principalmente em grandes avenidas e na região central, os candidatos insistam com esta estratégia de campanha.

Ineficaz no convencimento ao eleitor, porém bastante eficaz para incomodá-lo. Mesmo assim, candidatos pouco criativos e inovadores insistem nessa nefasta estratégia de campanha. Dá até vontade de, em tempos de campanha política, iniciar uma outra campanha, ou anti-campanha: abaixo a poluição sonora, não vote em candidatos que poluem os nossos ouvidos. Sobreviveria algum?

1 Comentário:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
 

©2009 NOTÍCIAS DE IPIAÚ | Template Blue by TNB