JORGE AMADO COMPLETARIA 100 ANOS HOJE

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Histórias de beira do cais, de velhos marinheiros, jagunços, meninos de rua, prostitutas. A realidade de violência e os contrastes sociais da Bahia aparecem em quase todas as obras de Jorge Amado (1912-2001), publicadas em mais de 50 países. Neste 10 de agosto, o escritor faria cem anos, mas as comemorações começaram bem antes: em julho do ano passado, por exemplo, Salvador celebrou os 25 anos da Fundação Casa de Jorge Amado. E, ao longo dos meses que se seguiram, foram lançadas publicações, uma exposição e o filme “Capitães da Areia”, dirigido por sua neta, Cecília Amado. 

Criada em 1986 para abrigar todo o acervo do autor, a Fundação Casa de Jorge Amado passou a incentivar estudos e pesquisas sobre a obra do escritor e de outros artistas baianos. Além disso, a casa no Pelourinho expõe documentos, livros, fotos e objetos de Amado. “Ele dizia que não queria se meter na criação da fundação, mas sempre deu apoio. Prestigiou os eventos e sempre aparecia para nos visitar. Foi um grande privilégio ter convivido com Jorge. Ele me incentivou desde o início da minha carreira”, conta a escritora Myriam Fraga, diretora da Fundação desde a inauguração. 

As comemorações dos 25 anos começaram em janeiro do ano passado, quando foi inaugurada na casa uma exposição interativa, com conteúdo renovado. O museu, aliás, espera ter mais visitantes neste ano de centenário do que em 2011, quando 61.488 pessoas passaram pelos casarões azuis. O número de alunos já deve superar em muito o do ano anterior. Até junho de 2012 foram 4.217 contra 4.296 de 2011 inteiro. 

Homenagem ao avô 

Lançado em dezembro passado, o filme “Capitães da Areia” é quase a quitação de uma dívida de Cecília Amado com o avô. “Quando decidi fazer cinema, ele disse que eu iria realizar o sonho dele de ser cineasta. Ele foi uma das pessoas que mais me apoiaram”, diz Cecília. 

“Capitães da Areia” conta a história de um grupo de meninos abandonados que planejam furtos, trapaças, e vivem muitas aventuras enquanto aproveitam a liberdade das ruas de Salvador. Publicada pela primeira vez em 1937, em pleno Estado Novo, a obra teve vários exemplares apreendidos, já que Pedro Bala, personagem principal, vira um militante comunista. A repressão talvez só tenha ajudado, pois esta obra se tornou a mais publicada de Amado. “É um drama social que continua. Por baixo das drogas, os meninos de hoje são iguais aos do livro. Seja na fascinação pela liberdade ou na relação com a sociedade”, afirma Cecília. Uma das principais atrações do filme são os atores mirins, todos de ONGs de Salvador. Verdadeiros “capitães da areia” estarão em cena. 

Exposição

 No MAM de Salvador, a exposição “Jorge, Amado e universal” está em cartaz até 14 de outubro, enquanto a mostra “Ilê Axé Opô Afonjá - O candomblé e Jorge Amado”, programada pela Fundação Casa de Jorge Amado, só deve acontecer em dezembro. Enquanto isso, em Ilhéus, o Festival Amar Amado acontece até o próximo domingo (12).

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