Os grandes eventos esportivos

|

Por: Samy Santos-Colunista


Alguns comentaristas esportivos afirmaram recentemente que o Brasil fez “barba”, “cabelo” e “bigode”. Tal afirmação faz referência ao fato de o país ter realizado o Pan-americano e na sequência realizará a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Não se pode negar que a realização de eventos de grande porte traz ganhos significativos para os países e cidades que os sediam, visto que se investe em segurança, habitação, transporte, infraestrutura, dinamiza a economia, aumenta a oferta de emprego e promove melhorias em outras áreas que são consideradas pilares para o desenvolvimento.
O grande problema, no caso do Brasil, é que muitos dos investimentos só funcionam na época da realização dos eventos. Para ilustrar tal afirmação, é só observar que a criminalidade voltou ao “normal” no Rio de Janeiro, o trânsito está uma “loucura” de novo e o atendimento na área da saúde voltou a ser péssimo, tudo isso após o grande “exemplo” de organização dado durante o Pan-americano.
Uma das maiores obras do Pan foi o estádio João Havelange, popularmente conhecido como Engenhão. Inicialmente, a obra foi orçada em 60 milhões, mas acabou custando 350 aos cofres públicos. A questão é que durante grandes eventos esportivos todo mundo se esquece da corrupção e dos gastos exorbitantes em “elefantes brancos”.
Vivemos num país em que o governo cria loteria para “salvar” os clubes de futebol. Já pensou se a moda pega... teremos de criar loterias para as grandes empresas, indústrias e, por tabela, até bares. É inadmissível tal atitude, pois, traduzindo, os cartolas podem desviar dinheiro dos clubes, sonegar impostos e deixar de pagar o imposto de renda, mas estes não precisam se preocupar, uma vez que o governo faz tudo em “nome do esporte”, claro que referendado pelo apoio quase que incondicional por parte da população. É gostar de premiar a corrupção.
É possível e até coerente defender a realização de grandes eventos esportivos no Brasil, ainda que o país tenha graves problemas sociais. Por outro lado, é necessário que haja fiscalização dos gastos públicos e que tais investimentos sejam realmente duradouros e imprescindíveis para o desenvolvimento nacional.
Percebe-se, então, que investimentos em esporte precisam estar intimamente ligados a melhorias da qualidade de vida da população, mas necessitam serem pensados a médio-longo prazo, fato que a visão imediatista de muitos não permite visualizar. Ademais, a realização de grandes eventos esportivos não deve ser um instrumento de corrupção. (www.samysantos.com.br)

0 Comentário:

 

©2009 NOTÍCIAS DE IPIAÚ | Template Blue by TNB