Crianças da 3ª e 4ª Série do Colégio Dom Bosco, Elaboram Carta, Sobre o Transito da Cidade e Lêem na Tribuna de Honra da Câmara Municipal

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Ipiaú-Bahia, 8 de outubro de 2009


CARTA ABERTA: TRÂNSITO DE IPIAÚ

Morava em Palmas, Tocantins, cidade planejada e com um bom trânsito. Cheguei a Ipiaú em janeiro de 2008. Véspera de eleições, trânsito conturbado por conta de uma mineradora que agitava a cidade. Sobretudo pude notar como carona e como pedestre que o trânsito aqui é ruim.
Não tem asfalto aqui. As ruas são esburacadas e de pedras, com os chamados paralelepípedos. Meu pai disse que é muito difícil dar manutenção nesse tipo de calçamento. Disse também, que os caminhões pesados que passam nas ruas estragam mais facilmente esse tipo de piso. Sem contar o desconforto, a barulheira que os pneus fazem na porta das casas. Pra quem mora nessas ruas, dormir até tarde é impossível. Sei disso, pois morei em uma dessas casas assim que cheguei. Lá de onde venho não há cidade pequena, que não seja asfaltada. Acho estranho, uma cidade como Ipiaú, que já produziu tanta riqueza como o cacau e agora o minério, não ser asfaltada até hoje. Quem serão os culpados?
As ruas não têm sinalização horizontal, aquelas faixas pintadas no chão. Os motoristas daqui não sabem onde fica a mão, a contramão e se desrespeitam o tempo todo. Sempre vejo meu pai levar um susto por isso. Não temos aqui as faixas de pedestres. Nem em frente aos colégios, nem aos hospitais. Quando chegamos aqui, meu pai passou correndo por alguns quebra-molas sem placas, sem pintura, sem nada. Não há faixas indicando onde parar, onde esperar.
Andar a pé aqui é muito difícil. Pois existem obstáculos nas calçadas como postes, buracos, contêineres de lixo, isso quando há calçadas. A acessibilidade também não é respeitada, pois não vejo rampas nem qualquer coisa que ajude pessoas deficientes ou especiais. Não dá nem pra andar de bicicleta aqui.
Não vejo nenhuma fiscalização. Não há blitz para impedir pessoas embriagadas e gente sem carteira para dirigir. Os moto táxis, na maioria das vezes, não têm carteiras. Existem muitos carros irregulares, tanto na documentação quanto na manutenção. Tem cada veículo andando nas ruas sem faróis, sinalizações, pronto para tirar a vida de alguém, causar prejuízos ou passar sustos; isso tudo além de construções em áreas de risco, marginais a rodovias e diversos obstáculos como os colocados em frente à indústria de polpa, à saída para Jequié.
Imagino que usar bicicletas aqui pode ajudar muito. A cidade é pequena com muitas pessoas que não têm condições de comprar motos ou carros. Se houvesse condições do uso de bicicletas, se não fosse tão perigoso, mais pessoas usariam esse meio de transporte, seriam mais saudáveis, haveria menos poluição.
Depois disso tudo, com ajuda de adultos que sabem dirigir, nós fizemos um documento com algumas críticas e sugestões.
· É necessária a pintura de faixas de pedestres e colocação de taixões sinalizadores em frente a escolas, hospitais, entre outros. Acredito que esse investimento é mínimo;
· Nesse sentido, o posicionamento de guardas nos horários de entrada e saída dos colégios de manhã e à tarde não seria caro;
· A instalação de um semáforo na Praça do Cinqüentenário de forma a reduzir a bagunça no cruzamento com a Av. Getúlio Vargas, Lauro de Freitas, subida da Feirinha e com a ladeira que segue da prefeitura seria bastante viável, acredito;
· Um projeto de anel viário, colocando em seu devido lugar o tráfego da BR 330 que passa por dentro da nossa cidade;
· Atuação mais rigorosa por parte dos órgãos responsáveis como Poder Executivo, Polícia Militar e Detran;
· Construção de ciclovia paralela às saídas na BR 330 na altura do Posto Motel Rocha até a última área habitada além da saída da Lauro de Freitas até a indústria de polpa, para facilitar a locomoção das pessoas;
· Asfaltamento das vias;
· Fiscalização de veículos e motoristas;
· Pontos de ônibus já que é comum se ver saltando ou entrando em ônibus em meio ao trânsito;
· Regulamentação local para a atividade de moto táxi:
· Campanhas periódicas sobre o trânsito (passeatas, palestras, debates junto aos governantes, propagandas educativas, minuto do trânsito na rádio, blogs na internet, fóruns e comunidades de discussão.);
· Construção de rampas, principalmente em colégios e hospitais já que podem incentivar as pessoas a construir uma em sua casa para a melhor acessibilidade das pessoas deficientes, doentes, crianças, idosos e veículos menores;
É importante falar aqui que eu e meus amigos, crianças, nos sentimos completamente abandonados da atenção dos governantes. Não há sequer um parque infantil ou praças devidamente urbanizadas e iluminadas que permita-nos brincar, pedalar, patinar, andar de skate, balançar, escorregar com segurança e felicidade.
Assim, em nome e com o apoio da minha turma do Colégio Dom Bosco, queremos entregar aqui, na Câmara de Vereadores, esse documento e saber o que pode ser feito a respeito. Agradecemos à atenção de todos e também essa oportunidade de sermos ouvidos. Aguardamos respostas.
Obrigada
Jamile Rodrigues de Cerqueira
Representante da 4ª série (quinto ano)
Professoras
VIRLA DE ANDRADE
ISABEL ARAÚJO

Carta elaborado pela aluna Jamile Rodrigues com a colaboração dos alunos da 3ª e 4ª série do ensino fundamental.

1 Comentário:

elza disse...

QUERO PARABENIZAR OS ALUNOS DA ESCOLA DOM BOSCO, ESPECIALMENTE A ALUNA JAMILE PELA CARTA ABERTA E PELOS CITADOS QUE SÃO DE EXTREMA URGÊNCIA E CONCORDO QUANDO ELA DIZ QUE AS CRIANÇAS ESTÃO ABANDONADAS, SOU MÃE DE 3 CRIANÇAS E SINTO O MESMO ABANDONO COM RELAÇÃO AO TRÂNSITO E AS CRIANÇAS. VALEU JAMILE.

 

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