A ideia é ficar para sempre

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Ontem, 02 de setembro, o congresso colombiano aprovou um plebiscito que visa a dar ao presidente Álvaro Uribe a possibilidade de concorrer ao terceiro mandato. Para que tal cenário se concretize, é preciso que a Corte Constitucional da Colômbia analise e aprove tal projeto de lei. Em seguida, este projeto será confirmado ou não por meio de um referendo popular.
Um dos princípios da democracia está intimamente ligado à alternância de poder. Ainda que o presidente Uribe tenha elevada taxa de aprovação, segundo pesquisas beira os 70%, não é admissível que um presidente tenha como projeto se perpetuar no poder.
Alguns podem questionar que é o desejo do povo, mas o povo pode está errado, como tantas outras vezes já esteve. Tal erro pode ser derivado da falta de conhecimento, por receber dinheiro ao invés de emprego ou por não ter critérios sólidos para escolher seus representantes.
Outros podem argumentar que o povo aprova o governo e que o presidente é amado pela população, mas Hitler, Mussolini e outros cruéis personagens da história também foram amados por suas nações, mas praticavam atos bárbaros contra elas.
Há pouco tempo se ventilou a possibilidade de se estender o mandato do governo Lula, dando-lhe a possibilidade de concorrer ao terceiro mandato. Por sorte a democracia no Brasil parece mais consolidada do que na maioria dos países latino-americanos, a exemplo de Venezuela, Bolívia e Colômbia.
O presidente Lula parece ter consciência do absurdo que é o terceiro mandato, ainda que concorde veladamente com eventual situação, ele declarou: "Não vejo sentido em que as pessoas fiquem discutindo o terceiro mandato, eu já cumpri meu papel".
A construção de um país justo e democrático se dá, também, pela alternância de poder, uma vez que ele é capaz de agregar olhares e posturas que possam contribuir para transformar um país num lugar mais justo e comprometido com questões de interesse popular. Em meados do século XXI, vários países da América Latina vêm transformado a democracia numa espécie de ditadura da vida moderna.
Alguns presidentes querem repetir a experiência do presidente do Gabão, que já governa aquele país há 42 anos e ainda é candidato a reeleição. Exemplos não faltam, basta observar Cuba. Não é a toa que Fidel Castro, apesar de não mais governar este país, desperta tanta admiração em alguns Chefes de Estado.


Samy Santos
Professor de Literatura, Gramática e Redação.
Graduado em Letras pela
Universidade do Estado da Bahia - UNEB.
Colunista do Noticias de Ipiaú
Site: www.samysantos.com.br
mailto:samysjs@noticiasdeipiau.com

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