Confira as dez principais notícias do dia 8 de setembro

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1. Brasil vai de caça francês
Manchete de todos os grandes jornais nacionais: Brasil vai negociar a compra de 36 caças franceses, da fabricante Dassault, em um negócio estimado em R$ 7 bilhões. O anúncio foi feito ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aproveitou a visita relâmpago do presidente da França, Nicolas Sarkozy. A decisão de renovar os caças brasileiros – justificada por Lula pela necessidade de o país proteger a Amazônia e as reservas de petróleo encontradas na camada do pré-sal – encerra uma disputa comercial iniciada em 2001. O Globo conta que estavam no páreo caças suecos da Saab e os norte-americanos da Boeing, que foram surpreendidas com a notícia, assim como os militares brasileiros. Segundo a Folha (para assinantes), a Aeronáutica ainda não havia terminado de avaliar os prós e contras de cada concorrente. O Estadão afirma que a contrapartida dada por Sarkozy foi fundamental para a decisão. A França se comprometeu a comprar do Brasil dez unidades da futura aeronave de transporte militar KC-390, da Embraer, que ainda está no papel e deve ter seu primeiro protótipo pronto em 2015. No total, os acordos com a França, que envolvem submarinos e helicópteros, giram em torno de R$ 31 bilhões. Contratos paralelos preveem modernização de equipamentos franceses com tecnologia brasileira. Os mísseis franceses Exocet são um exemplo, citado pelo Estadão. A gigante europeia EADS recebeu a encomenda de “reformar” os mísseis, que ganharão nova carga elétrica e motores com mais precisão – tecnologia parcialmente desenvolvida pelo Brasil, que vai receber pela propriedade intelectual.

2. Avanço militar

Para o jornal francês Le Monde, o acordo para a compra de caças franceses anunciado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma resposta ao avanço militar norte-americano na América do Sul (evidenciado recentemente pelo anúncio de que os estados Unidos vão ocupar bases militares colombianas para combater o tráfico de drogas). O jornal acredita que o movimento brasileiro revela uma “corrida armamentista” na região e cita números: o orçamento militar dos países aumentou 91% entre 2001 e 2008. Para especialistas ouvidos pelo jornal, o Brasil, que se posicionou contra a presença militar norte-americana na Colômbia, se contradiz agora, com o acordo com a França. Já o Libération, outro jornal francês, afirmou que o acordo com o Brasil foi um “bilhete premiado” para a indústria bélica francesa, atualmente em crise. As repercussões estão no portal G1.

Economia
3. Trabalho escravo no PAC

Fiscais do governo federal e do Ministério Público flagraram trabalhadores em regime análogo ao de escravidão em uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Goiás. Foram resgatados 98 trabalhadores da construção da usina hidrelétrica Salto do Rio Verdinho, que moravam em instalações sem cama nem banheiro, trabalhavam em troca de comida, acumulavam dívidas e não recebiam salários. Com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a obra é de responsabilidade da Votorantim Energia, braço do grupo Votorantim, que assumiu as dívidas trabalhistas, pagou e alugou um ônibus para transportar os trabalhadores de volta para seus Estados de origem, Minas Gerais e Mato Grosso. Procurada pela Folha (para assinantes), a Casa Civil não se manifestou.

4. Avanço na competitividade

O Brasil subiu oito posições no ranking dos países mais competitivos do mundo elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, em parceria com a Fundação Dom Cabral. O bom desempenho da economia brasileira durante a crise global foi decisivo para o país conquistar a 56ª posição na lista de 2009, informa o G1, à frente de todos os países da América do Sul, com exceção do Chile, e da Rússia. É a primeira vez que o Brasil se sai melhor do que um dos países do bloco conhecido como Bric, do qual fazem parte, além do Brasil, China (29ª colocada), Índia (49ª) e Rússia (63ª). Vale destacar que China e Índia ganharam apenas uma posição em relação ao ano passado. O Relatório de Competitividade Global analisa as condições que os países oferecem para que as empresas consigam competir internacionalmente. São avaliados itens como infra-estrutura, segurança institucional, estabilidade macroeconômica, saúde, educação, entre outros.

5. Embraer versus Bombardier
A brasileira Embraer foi à Comissão Europeia reclamar dos subsídios dados pelo Reino Unido para a concorrente canadense Bombardier. A ajuda é para a construção de novos jatos. De acordo com o Valor Econômico, a Bombardier, que já tem subsídios do Canadá, agora pediu US$ 253 milhões ao Reino Unido, por ter uma fábrica na Irlanda do Norte. Para a Embraer, os subsídios violam as leis de concorrência europeias e a empresa, que ainda pode recorrer à Corte Europeia de Justiça, pediu redução em um terço dos subsídios. Uma decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC), tomada na semana passada, pode ajudar com um precedente. A OMC deu razão a Boeing contra a Airbus, em um caso semelhante de subsídios na construção de novos modelos de aeronaves.

Telefonia
6. Sem mudar o número

Trocar de telefone sem trocar de número – um serviço chamado de portabilidade numérica – não está sendo fácil para os consumidores brasileiros. Reportagem da Folha (para assinantes) mostra que a taxa de portabilidade está muito abaixo do previsto, de 1,5 milhão por mês. Em agosto, foram 320 mil pedidos, por exemplo. Isso porque, de acordo com o jornal, as operadoras não estão dando conta de fazer as transferências. Apenas 75% dos pedidos foram portados em até cinco dias úteis, prazo dado pela agência reguladora, que determinou que 95% dos pedidos deveriam ser atendidos dentro desse período. A associação criada para gerenciar portabilidade no país diz que a meta só não é cumprida porque há muitos pedidos de cancelamento por parte do cliente. No entanto, técnicos ouvidos pela Folha afirmam que, dos cancelamentos, poucos são pedidos pelo cliente. Eles dizem que, para não tomarem multa por não cumprir a regra dos cinco dias úteis, as operadoras receptoras do número cancelam deliberadamente o pedido. Há casos curiosos. Um número do interior paulista foi cancelado 31 vezes, em junho. Em agosto, o recordista de cancelamento foi um número do Rio de Janeiro, 18 vezes.

Sociedade
7. Fim do paraíso dos fugitivos

O governo federal lança hoje o programa Fim de Linha, para tentar combater a entrada de criminosos fugitivos no país. O programa prevê o uso de tecnologia para ampliar cadastros nacionais da Polícia federal e o cruzamento dessas informações com os bancos de dados da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). De acordo com o Estadão, estará imediatamente disponível a interligação de todos os aeroportos internacionais, portos e postos de fronteiras a um sistema de identificação que roda 24 horas por dia, sete dias por semana. Agentes serão obrigados a checar os dados de identificação de quem entra e sai do país. Também estará disponível um cadastro da Interpol que traz o número e o nome de titulares de passaportes roubados. Hoje o Brasil tem acesso apenas à lista de números. Outro braço do programa Fim de Linha será uma campanha publicitária. Com ilustrações de Ziraldo, o objetivo é alertar a população de cidades que estão entre as mais preferidas dos criminosos – a maioria delas grandes metrópoles.

Saúde
8. Remédio contra a pirataria

Remédios piratas, vendidos em camelôs e pela internet, chegaram às prateleiras de pequenas farmácias – e isso ajudou o Brasil a quebrar seu recorde de apreensões de medicamentos falsos. De acordo com reportagem do Jornal da Tarde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), junto com a Polícia Federal, recolheu 316 toneladas de medicamentos piratas no primeiro semestre. No ano passado, no mesmo período, foram 45,5 toneladas. A Anvisa confirmou que, além da fiscalização maior nas fronteiras e do fechamento de laboratórios ilegais, a distribuição de remédios falsos cresceu. O Conselho Regional de Farmácias de São Paulo afirmou ao jornal que já abriu processos éticos contra farmacêuticos flagrados vendendo medicamentos piratas. “O consumidor tem que procurar comprar sempre em estabelecimentos idôneos”, afirmou Marcelo Polacow, vice-presidente do conselho.

Mundo
9. Discurso aberto
Para dar fim à polêmica que gerou ao anunciar que iria falar diretamente a estudantes, Barack Obama liberou antecipadamente seu discurso que fará hoje em uma escola da Virgínia e que será transmitido para outros estabelecimentos de ensino do país. Ao saber que Obama faria o discurso, a oposição acusou o governo de tentar doutrinar os estudantes sobre sua agenda política. Os republicanos Ronald Reagan e George Bush (o pai) também já se dirigiram diretamente a estudantes. No caso de Obama, algumas escolas ainda não sabem se vão retransmitir o pronunciamento e alguns pais pediram dispensas de seus filhos. De acordo com a Folha (para assinantes), a polêmica chega em mau momento para o governo norte-americano, que concentra seus esforços para tentar passar no Congresso a reforma do sistema de saúde do país. Em tempo: em seu discurso, Obama falará que alunos precisam trabalhar duro, fixar metas, procurar áreas de interesses e não abandonar a escola.

10. Zonas eleitorais falsas
Observadores internacionais e do próprio governo afegão afirmaram para o jornal norte-americano The New York Times – em reportagem reproduzida pelo Estadão – que partidários do presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, armaram centenas de zonas eleitorais falsas, nas quais ninguém votou, mas foram contabilizados votos a seu favor, nas eleições presidenciais que ocorreram no mês passado. As zonas falsas, cerca de 800, existiam apenas no papel, disse um diplomata ocidental. Milhares de votos contabilizados para Karzai seriam provenientes dessas urnas. Além disso, outras urnas, que de fato funcionaram no dia da eleição, também teriam sido alteradas. Com isso, em algumas províncias o número de votos em Karzai supera em até dez vezes o de pessoas que apareceram para votar. Com aproximadamente três quartos dos votos apurados, Karzai aparece na frente com 49%. Seu principal oponente, Abdullah Abdullah, tem 32%. Nos próximos dias, de acordo com os envolvidos ouvidos pelo jornal, deve ser decidido se as eleições afegãs serão ou não aceitas como legítimas.

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