Ana Paula inicia volta ao futebol e prepara livro sobre trio pioneiro de mulheres

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Ana Paula Oliveira está escrevendo um livro e sonha em voltar para o quadro da Fifa (foto: Gazeta Press)

Por Luciano Borges

“Acho que ela está com vontade. Depende disso. Ela ainda precisa melhorar a resistência”. A avaliação é do homem forte da arbitragem em São Paulo, o coronel da reserva da PM Marcos Marinho. “Ela” é Ana Paula Oliveira que participou do primeiro dia de um programa de condicionamento físico desenvolvido pela Comissão Estadual De Arbitragem da Federação Paulista de Futebol.

Desde que posou nua para a revista Playboy, na edição de julho de 2007, Ana não atua como assistente de árbitro em jogos organizados pela FPF e CBF. Nestes dois anos, ela tem trabalhado como juíza em eventos, mas deixou de fazer parte do quadro da FIFA porque não passou nos testes físicos da entidade internacional.

Ana Paula alegou uma contusão e, depois, problemas particulares que a impediram de passar nestes exames. O desempenho exigido é de alto rendimento, difícil de ser cumprido.

Enquanto não retorna aos jogos oficiais de São Paulo, a assistente de arbitragem (como gosta de ser chamada) divide o tempo com outras atividades. Ainda freqüenta os campos de futebol, atuando como árbitra em partidas organizadas por prefeituras ou empresas privadas. Tem dado palestras em eventos corporativos.

Uma passada pelo site de Ana Paula revela que ela está estudando jornalismo. Além disso, apresenta um programa de rádio semanal em Campinas e, duas vezes por semana, participa de um programa de televisão. “É um quadro onde falo de esporte de um jeito descontraído”,disse.

A bandeirinha (como não gosta de ser chamada) está trabalhando na confecção de um livro que vai contar a história do primeiro trio de arbitragem só de mulheres no futebol masculino.

Em 26 de junho de 2003, a juíza Silvia Regina e as auxiliares Ana Paula Oliveira e Aline Lambert trabalharam juntas no confronto entre Guarani e São Paulo, vencido pelos tricolores (1 a 0). O trio é pioneiro no mundo e, com atuações convincentes, incentivou várias jovens a seguir carreira na arbitragem.

Mais de seis anos depois, Silvia deixou o apito e hoje faz parte da Comissão Estadual de Arbitragem da FPF. Aline continua bandeirando, mas vai ficar parada por três meses para se recuperar de um problema muscular.

Ana Paula não quis dar detalhes de seu novo projeto. “Vai sair tudo no meu site”, disse. Ele evitou esticar a conversa por telefone, alegando ter tido “dores de cabeça” com notícias publicadas antes no Blog do Boleiro.

A assistente de arbitragem está fora do quadro da FIFA. Sem passar pelos testes físicos da entidade desde junho de 2007, ela garante – em seu site – que ainda sonha em trabalhar em um Mundial. “Sei que é difícil, mas tenho convicção que ainda irei trabalhar numa Copa do Mundo”.

Marcelo Pereira - Terra)

A assistente desfilou com uniformes de juízes da FPF (foto: Marcelo Pereira - Terra)

A chance de voltar a bandeirar aumentou com o Programa de Condicionamento Físico Progressivo desenvolvido pelo Cel. Marinho. Os cerca de 70 homens do apito (juízes e assistentes) que atenderam à convocação da FPF e foram até Caieras (grande São Paulo), passaram por uma avaliação inicial que determina percentual de gordura, capacidade de resistência e velocidade.

A partir do próximo sábado, todos terão que completar o primeiro teste físico: correr três tiros de 60 metros cada um (velocidade) e completar seis voltas no campo (resistência), revezando corridas de 150 metros com caminhadas de 50 mts, num total de 12 tiros.

Quem consegue cumprir com sucesso esta etapa já poderá ser escalado nos jogos da Federação Paulista. Mas vai precisar, no dia 22, repetir e melhorar o desempenho em outro teste (quatro tiros de 60 mts e 14 tiros e sete voltas ao redor do campo)..

Depois, os árbitros terão mais três sessões, sempre aos sábados. Até chegar a seis tiros de velocidade e 10 voltas no campo (20 tiros de 150 mts).

Quem passar continua trabalhando. Quem “deixar de cumprir as metas propostas” ou faltar a um dos testes ou não cumprir o protocolo do teste FIFA, estará impedido de continuar trabalhando nas partidas.

O Cel Marinho quer ainda aproveitar este Programa para iniciar um estudo que vai durar dois anos. “Depois deste tempo, pretendemos propor à FIFA que crie dois testes, um para árbitros e outro para os assistentes”, disse ao Blog do Boleiro.

Na verdade, quem apita corre mais em campo. O estudo da FPF mostra que um juiz percorre a distância média de 12 km por partida. O assistente é exigido menos: 2,5 km. Não haveria, então, necessidade de submeter os bandeirinhas ao mesmo nível de exigência física dos árbitros.

No sábado passado, o Cel. Marinho sentiu Ana Paula Oliveira disposta a encarar os sábados de testes propostos pela FPF. Ela é um dos motivos para que a Comissão Estadual desenvolvesse o Programa progressivo: “Estamos perdendo assistentes com técnica muito boa por causa desta exigência da Fifa”, disse Marinho.

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